segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pesquisa de campo



Assim como em todo o Estado do Acre foram os nordestinos, em especial maior parte de cearenses, que aqui aportaram, numa tentativa de colonizar e explorar estas terras que no início do século XX não se sabia a quem pertencia de direito e de fato este pequeno território na época totalmente desconhecido e habitado por maior parte por índios selvagem e sem nenhum contato com o mundo civilizado, se ao Brasil ou a Bolívia que tentava imprimir a ele um direito incondicional e irrestrito
Aqui eles chegavam totalmente brutos no sentido de falta de conhecimento não só de toda a floresta, mas também na maioria com um mínimo de escolarização ou até mesmo não alfabetizado, tudo isso favoreceu e muito para uma cultura própria e peculiar da nossa própria região, estórias que até hoje fizeram e continuam fazendo parte de nossa cultura como um todo, é tanto que até mesmo todo o nosso sistema escolar desde o fundamental passando até o ensino médio faz uso indiscriminado de toda a nossa cultura local, tais como contos, danças, festivais que já são e fazem parte de toda a nossa tradição e cultura de um povo que tem toda essa cultura influenciada pelos seus desbravadores e a região nordestina.
Todo esse ocorrido favoreceu por demais a toda essa fertilização da nossa cultura e que basta passarmos a investigar as pessoas mais velhas e idosas, para que possamos ver todo um ar de veracidade em todo e qualquer ocorrido em nossa cultura, são pessoas que na maioria ainda continuam quase que sem nenhuma formação escolar, mas que lhe basta toda imensa e vasta experiências da vida para que no fundo no fundo sejam verdadeiros doutores em termos de lições do bem viver e da dignidade.
A estória que aqui irei começar é uma estória que facialmente conseguimos ouvir por parte de pessoas que talvez não tenham vivido em épocas antigas, mas que com certeza somos todos descendentes e fazemos parte direta ou indireta daqueles que foram nossos antecessores e que de certa forma acreditavam fervorosamente nesta estória, que pra muitos incrédulos não passa de ilusionismo e um florescimento fértil do folclore local.
No contexto contemporâneo, essas estórias brasileiras e locais por assim dizer, revelam inúmeras funções artísticas, terapêuticas e culturais, norteando o trabalho de artistas e educadores. Através de sua prática, é vivenciado de forma simples, direta e orgânica o conhecimento de aspectos culturais, a vivência de valores humanos, a noção de coletividade, o resgate do lúdico e inúmeros valores que são heranças de suas culturas matrizes. A presença de valores tradicionais soma-se ao caráter dinâmico que reflete o diálogo com diferentes contextos sociais, culturais e geográficos.
Esta pesquisa de campo se deu de forma sistemática e totalmente transcrevendo aquilo o que as pessoas mim contavam com relação a essa estória.

A estória do Mapinguari comedor de carne



Numa determinada localidade no centro da floresta, onde moram e trabalham os seringueiros, numa localidade no meio da floresta distante às margens do rio, onde moram os seringueiros tinha um bicho lendário que os caboclos que passaram a chamavam de Mapinguari que já havia matado e comido inúmeras pessoas.
Certo dia, três homens foram trabalhar e morar nesta dita colocação. Eles caçavam a noite e, bem cedinho antes de saírem botavam a carne para secar ao sol. Quando voltavam da estrada não tinham mais nada.
Então logo depois um deles disse:
- Rapaz, nós vamos pegar quem está comendo nossa carne.
Até que um dia eles fizeram uma caçada muito boa, botaram a carne para secar.


Depois dois deles foram a floresta e outro ficou fixando o olhar na carne e esperando o bicho comedor. Bicho, naquele dia, não apareceu nenhum. Mas eles não desitiram. No outro dia, colocaram mais carne na vara e ficaram os três em casa observando o dia todo, pastorando pelo espaço vazio das paxiúbas. Ao anoitecer ouviram uns gritos mais horríveis do mundo.


- ÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ...
- Rapaz, lá vem o bicho! Foram logo pegar os rifles. O que atirava melhor entre os três.
- Deixem que eu atiro bem no umbigo dele.
Quando bicho gritava, saia fogo do umbigo. E ele foi chegando perto da carne, pertinho então o mulato cangaceiro de mira atirou. Foi certeiro bem no umbigo do bicho. E o bicho urrava, esperneava-se era uma coisa horrível de ver. Os três seringueiros ficaram apavorados com aquele acontecimento. E pensando que tem outros bichos desses por essas matas, partiram para um lugar ignorado. Não quiseram saber de bicho, nem de nada.

Fim

É interessante notar a importância de tratar a Cultura no âmbito escolar, uma vez que a mesma revigora e orienta os comportamentos e as atitudes do ser humano. Dentro dessa perspectiva, vislumbramos o quanto a parceria Cultura e Educação propiciam à formação humana, a partir de sua conceituação histórica, seus elementos constitutivos, suas práticas corporais e culturais, a valorização da identidade de um povo, dentre outras, a ampliação e preservação do acervo cultural dos alunos. Sendo assim, a Cultura, alicerçada à educação como um todo, pode contribuir de forma ímpar, tendo em vista que, também através desta há a possibilidade da formação de um sujeito mais consciente, crítico e transformador.
Após a conclusão desta pesquisa é certo que temos que refletir sobre os efeitos deste tipo de estória para a nossa cultura local, uma vez que ela nos arremete a todo um trabalho criativo não só da imaginação dessas pessoas as que “ouviram ou testemunharam” esta estória, mas também de todo a população local, sem falar que todo o sistema escolar local faz uso deste tipo de artifício para um melhor aproveitamento da criatividade e imaginário do próprio aluno. A democratização da cultura e das artes em geral e da promoção da cidadania individual e coletiva, são as principais formas de proporcionar a um povo o seu desenvolvimento, assim o planejamento das fases de evento e sua gestão devem ser realizados e direcionados em termos educacionais, sociais e comunitários dando oportunidade a população um meio de afirmação de sua identidade cultural, além de um aumento nas melhorias estruturais, oportunizando o contato com novas formas de lazer e aquisição de cultura, acarretando em um aumento da qualidade de vida das comunidades, atingindo assim o desenvolvimento.


Referência Bibliográfica

- Leão, Mauricília da Silva e Cavalcante, Manoel Estébio. Mapinguari comedor de carne. Rio Branco: Editora Poronga, 1996 CTA

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