Comentário textos de Meyerhold
Na realidade podemos observar que a história do teatro de Arte de Moscou se apresenta de duas formas, um teatro de estado de alma, a qual Meyerhold repugnava ferozmente e um teatro baseado na teoria da biomecânica, que transformava o corpo do autor em uma ferramenta, uma verdadeira marionete a serviço da mente, sendo que cada uma foi e continua sendo determinantemente e percussor nas diretrizes de todo o teatro mundial, até mesmo nos nossos dias atuais, pois uma se fez necessária existir para que a outra tivesse um suporte de afirmação ou negação da forma de atuação de cada uma, podemos ver que sua capacidade de comunicação dos próprios gestos e expressões, subjuga e meio que dá menos importância a mesma, valorizando o próprio movimento e explorando os efeitos visuais através do mesmo, dando que os mesmo valor ao estático uma vez que segundo seus fundamentos tudo em cima do palco tinha que ser devidamente calculado.
Para Meyerhold “o tetro naturalista não nega apenas a capacidade de sonhar do espectador, mas também a de compreender os diálogos inteligentes que se desenrola em cena”, uma vez que enquanto o naturalista apenas retrata exatamente como é a natureza da coisa, não deixando brecha para que o ator possa ser determinante na conclusão de seus trabalhos na peça e podendo fazer de seu corpo uma verdadeira sinfonia de movimento, pois pela biomecânica de Meyerhold tanto ator quanto telespectador todos estão totalmente envolvidos numa sinergia que um pode desenvolver suas ações dentro de um programa pré-determinada e o outro fazer verdadeiramente uma viagem durante o desenrolar da encenação.
Talvez a ruptura do “mestre” com o aprendiz que mais tarde veio a ser também mestre na arte teatral, se deu baseado na concepção exata de como Meyerhold via e sentia de um lado observando o tetro naturalista em que tudo era uma cópia fiel da realidade em que o ato acontecia e também o teatro de estado de alma e do espírito em que nada estava precisamente determinado e se seguia uma regra ou uma técnica fundamental, apenas se deslumbrava e fazia uso das maravilhas em que a natureza operava em cada ato encenado como uma preocupação máxima de dar vida e sentimento a esse ou aquele personagem da peça encenada.
É certo que há certo confronte entre o teatro naturalista que é um pouco aplicado por Tchekhov e de Stanislavski e a biomecânica de Meyerhold, pois também podemos ver que o naturalismo se encaixa muito bem ao teatro amadorista, mas isso não que dizer tão mais ou tão menos importante do que um ao outro, já que na biomecânica isso não é possível, tudo tem que ser devidamente programado friamente antes que possa ser encenado e mostrado o seu resultado e indo mais longe ainda liberdade de movimento é uma palavra que não faz parte do vocabulário do da biomecânica, enquanto que Meyerhold ver esta liberdade exagerada no teatro naturalista como algo exacerbado e que acaba por estragar o conjunto da obra.
Podemos ver que no tetro naturalista acontece exatamente ao contrário da biomecânica, quando nos referimos a uma organização exagerado de todo material cênico, sempre que o ator tem que se auto-dotar de técnicas, sendo aquele que compõe, aquele que escreve com o seu próprio corpo.
Também vemos que o naturalismo teatral estava bastante perspicaz no seu intuito de mostrar tudo numa exatidão tão perfeita que talvez pudesse até se confundir com a própria realidade, realidade que as vezes deixava um simples ato cênico com uma cara de “uma odisséia no espaço” deixando uma impressão nos telespectadores de realidade nua e crauá da mesma, roubando dele o direito de sonhar, de se imaginar dentro do próprio ato, fazendo este ou aquele movimento, mesmo que conforme pré-determinado pelo encenador. A partir desta encenação fielmente da realidade no teatro naturalista é certo que tudo se tornava bem mais trabalhoso trabalhar uma determinada peça, com figuras grotescas e pesadas demais para esse tipo de arte, mas Meyerhold via nas figuras leves, feitas pelo próprio homem com materiais leves, como uma pintura de fundo de um bosque e até esmo de uma árvore enorme.
Para a Meyerhold que não via nada como sendo fruto do acaso, o fracasso de um trabalho poderá está relacionado a uma superficialidade da técnica, sem qualquer preocupação estrita com a mesma, sendo que neste ou naquele determinado trabalho cênico pode até haver certa excitação em tudo isso, mas para isso possa acontecer tem que deixar suscitar algo cômodo e de uma grande eficácia. Enquanto que no teatro naturalista a máquina é o maquinista e o corpo é quem trabalha, vemos ao contrário na teoria de Meyerhold que o ator é como uma máquina que trabalha dentro um ritmo determinado por quem opera a máquina, que no caso é o encenador.
Enfim, sabemos que ambas as fórmulas de se fazer teatro, seja um teatro naturalista, um teatro da alma ou um teatro desenvolvido com os preceitos da Biomecânica de Meyerhold, todos deram sua contribuição considerável ao teatro como um todo e que todos os seus preceitos e fundamentos, continuam e continuaram a ser fundamentos norteadores nas encenações universal do teatro, Mas também que Meyerhold foi o percussor de um teatro mais regrado a formalidade e que tudo tinha que ser previamente estudado, calculado intencionalmente e com equilíbrio em tudo o que ia ser realizado dentro de uma peça, dando início a um teatro mais profissionalizado, burocrático e menos passional, sentimental e do lirismo das situações em era impostas pelas peças teatrais.

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