segunda-feira, 4 de maio de 2009

Artaud e o Teatro

É certo que podemos eleger o teatro de Artaud como sendo um teatro metafísico, teatro alquímico, teatro da crueldade, são relações que ele próprio impõe a sua proposta de um teatro renovado, novo, onde busca uma explicação e uma definição lógica de seus métodos, como sendo um dos mais eficazes nessa busca incessante de um teatro renovado e atual.

Ele ver que está nos nossos nervos e o nosso coração a saída par um aumento de nossa sensibilidade, a qual se encontra num tremendo desgaste, onde quase tudo apenas copiamos e somos fiéis na imitação destas cópias. Ver nesta sua tentativa uma oportunidade para “chacalar” a parte sensorial e do nosso espírito do espectador teatral, melhorar sua percepção, sensibilidade numa busca incondicional da transformação de sua consciência e que tanto nervos quanto coração tem uma relação estreita, um é condutor do outro.

A duplicidade do teatro de Artaud se mostra bastante visível quando no seu teatro da crueldade podemos ver aspectos que se contrapõe como, por exemplo, o físico, exteriorizado através de gestos, imagens e sons que tende a causar um impacto através da sensibilidade do público e o religioso que tende a ser mais filosofal, algo interiorizado que se vale das idéias de um conhecimento geral e abstrato. Através de sua proposta, ele nos mostra inúmeras formas para que o teatro possa mexer com o sistema nervoso do público, mas que estas formas jamais possam ser tomadas de uma linguagem teatral fixa, a qual ele era um crítico ferrenho e que acreditava que ela poderia ser a ruína do teatro como um todo, tudo isso não queria dizer que tinha que diminuir a importância da palavra, mas que seu destino seja mudado no sentido dos sentimentos e paixões se oponha uma a outra de pessoa para pessoa na vida.

No teatro duplo de Artaud, a rejeição e sua proposta caminham junto rumo a um teatro onde a encenação seja baseada numa utilização mágica e abstrata dos seus métodos proposto, nunca levando em consideração que tudo provém de um texto escrito, mas que tudo pode ser tirado como conseqüência objetivas de um palavra, gesto, som e música combinado entre si. Defendia um teatro onde podíamos ver a duplicidade do terapêutico e ao mesmo tempo da recreação. Terapêutico tendo como campo fértil a crueldade que curaria através da destruição, sendo num extremo o ator que representaria sua vida sem meias verdades e do outro o espectador que teria o seu sistema nervoso totalmente em frangalhos devido a esta situação, já na recriação, o homem seria montado a partir de uma transformação radical para que ele pudesse também mudar o mundo.

Ele também recusava as obras-primas, não via nelas um sentido necessário para que ela nos servisse na atualidade, pois “As obras primas do passado são boas para o passado; não servem para nós. Temos o direito de dizer o que foi dito e mesmo de dizer o que não foi dito de um modo nosso, imediato, direto e que atenda aos modos do sentir atual e que todo mundo entenderá. Estamos acostumados e aceitamos as meias verdades e fatos ilusórios que vem se perpetuando a vários anos, que simplesmente só conseguimos enxergar no teatro como sendo um espaço descritivo e narrativo e que a psicologia simplesmente é a própria narrativa.

Também podemos ver que a dramatização e o texto com conflito é algo que está tão enraizado na sua proposta para o teatro, que não conseguimos aceitar outra forma que não seja essa como sendo algo tão essencial, como o coração é vital para vida, para ele tudo tem que está dotado e inserido de ações como vozes, gritos, sussurros e explosões que não obedecem as exigências comuns da forma escrita, mas as da respiração dramática, onde a fala do homem não é um mero conjunto tipográfico e, tampouco, um simples valor discursivo, mas sim, um elemento que o homem utiliza para se comunicar com todo o corpo, no corpo e mesmo para negar este corpo. No seu teatro tudo tem que está relacionado com um certo grau de dramaticidade e que a duplicidade também é marcante, como que numa mera leitura podemos ver que alguém se interpõe, ora surdo e silencioso, violento e acusador estabelecendo certa parceria, Posição ou situação contrária.

O Teatro e seu duplo, onde Artaud mostra como um todo suas idéias que constituem teatro da crueldade, defendendo sempre uma linguagem que possa explicitar, as verdades escondidas objetivamente, algo mais concreto e contrária a que é utilizada para o meio psicológico, mudando a finalidade da palavra, é o mesmo que servíssemos dela em um sentido concreto e espacial, assim será combinado o que o teatro contém de especial e de significado com relação a um domínio concreto, um domínio mais misterioso e mais secreto.

Por tudo isso é que podemos dizer que o teatro de Artaud, tem como base os princípios da crueldade, da duplicidade, o transe como sendo o lado lógico a que o ator tem que recorrer e todas as suas obsessões também podem ver outro ponto interessante e de grande particularidade referente ao teatro é a tendência de Artaud faz a uma dualidade, que o mesmo faz uso constantemente nas sua palavras escritas: O Teatro e seu Duplo (O Teatro e a Cultura, O Teatro e a Peste, A Encenação e a Metafísica, Teatro Oriental e Teatro Ocidental), O Teatro e os Deuses, O Teatro e a Anatomia, O Teatro e a Ciência, O Teatro e a Psicologia, O Teatro e a Crueldade,etc. Assim podemos observar que esse dualismo varia entre o conflito, a aliança ou a identificação, mas em qualquer dos casos é uma oposição no diálogo que se estabelece frente a frente, Artaud diante de outro ou dos outros.

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