segunda-feira, 4 de maio de 2009

Quais as relações existentes entre as nomenclaturas existentes no ensino de artes atualmente em relação às academias, e o classicismo?

É certo afirmar que o surgimento das academias está diretamente relacionado com um espaço de ensino formal de conhecimentos artísticos, embora que no princípio tivesse mais uma preocupação voltada para o ensino não formal e sem nenhum vínculo com o Estado, atendendo apenas ao interesse particular, com a finalidade de formar verdadeiros artistas no começo e mais adiante formar profissionais que atendam a demanda de ensino de artes como um todo e também em outras áreas que passem de uma forma direta ou indireta pelo crivo das artes.

Quando do início das academias vemos que, há uma grande necessidade e adequação aos interesses particulares e classes e que não estava totalmente ligada somente ao ensino de arte na sua totalidade, mas também de transformação nas questões de como melhor se adequar e proceder nas questões de ensino de artes. Podemos observar uma variedade e até mesmo uma variação nas diversas academias que foram surgindo ao longo do tempo, lógico que cada uma com sua enorme contribuição inegável ao ensino de arte, dentre elas a Academia Platônica (Lorenzo de Medici), uma espécie de percussora de todas as outras academias e mais Academia Del designo (Grão-duque Cosimo I) , Academia de San Luca (Frederico Zuccari), sendo que todas essas se preocupavam mais com o interesse particular de seus participantes, sem a preocupação de um ensino mais voltado ao ensino como um todo, já a Academia de Pintura (Le Brun) teve uma preocupação no sentido de dar uma cara mais acadêmica, principalmente ao ensino superior e também a Academias de Roma (Coubert), sendo que todas se identificavam com o classicismo que tinham como ponto de partida estéticos modelo da Antiguidade clássica e a imitação de mestres do renascimento, só foi com a Commune dês Arts (Jacques Louis David) que começa dá uma cara as academias de liberdade artística e mais tarde a Sociedade Popular e Republicana das Artes, sendo substituída pela classe de Literatura e Belas-Artes do Instituto de França que as academias perderam força e podemos ver um caráter mais humano e civilizado nas questões referentes ao mundo das artes e artístico.

Revendo a História das Artes podemos ver que tais nomenclaturas começam com uma necessidade de adequação a aquilo que o homem desde os primórdios acredita ser o melhor no tocante primeiro a exaltar o artista e depois como mecanismo educacional, proliferação e conhecimento dos traços artísticos e o que contribuiu bastante para as mais variadas formas de adequação desse ou daquele termo foi consideravelmente que a arte não poderia ser algo exclusivo ou que estivesse ao bem querer de uma pequena minoria de artistas, ricos ou também engrandecimento de pessoas importantes como Reis e governantes de um modo em geral, num primeiro momento essa necessidade ficou por muito tempo atrelado ao engrandecimento destes governantes, a arte servia como engrandecimento de seu feito e como uma conforto pelo qual a arte servia muito bem.

Também a história nos mostra que a cada vez que o tempo avançava e as mudanças se faziam necessário, procurava se mais e mais um termo que mais bem se adequasse a realidade de cada momento e isso fez com que surgisse a cada pequeno espaço de tempo um nome diferenciado de academia, sem falar que os momentos políticos, sociais e econômicos só contribuíram para tudo isso. Vimos também que nesse mesmo avanço de tempo e as mudanças que aconteciam tudo caminhava em direção não mais só da pessoa do artista, mas também nas direções do ensino de arte puramente dito, levando em conta que essas academias tinham muito privilégios e não tinham um preocupação comum e socialista deste ensino de arte, e que não deixasse morrer tudo aquilo que desde a idade média vinha sendo construídos pelos mais belos artistas, uma forma de se manter isso vivo era não só o estudo de artes, mas também uma formação de profissionais que estivessem diretamente ligados nesta intenção.

A partir do avanço tecnológico, podemos dizer que tudo isso se torna mais verdadeiro, pois existia uma promessa de conforto assegurado e o pensamento romântico estava em pleno florescimento, com uma valorização do pensamento e uma liberdade geral na hora da criação, então havia este confronte entre o tecnológico e o pensamento artístico, de um lado a máquina de produção e do outro os artistas românticos e que não via com bons olhos este avanço para a arte de um modo em geral, toda a discussão sobre o avanço tecnológico acabou por refletir no plano educacional, pois era necessário preparar o homem para um convívio proveitoso com essa tecnologia e isso fez com que se buscasse métodos que suprisse essa necessidade escolar, e um destes métodos era a inclusão do desenho no ensino e que4 o desenhos poderia funcionar como uma espécie de promover habilidades nas outras partes de um currículo.

Vendo tudo isso, temos a impressão que existe sim uma relação de aproximação e de relativa aparência quando nos referimos aos dois momentos desta história, as nomenclaturas existentes no ensino de artes atualmente têm sim uma relação com as academias, e o classicismo, pois a mesma necessidade de adequação as mudanças se faz necessário para competir com todo ao avanço frenético que a vida nos impõe, e o ensino de artes está totalmente ligado a este contexto, pois só através dele é que poderemos chegar a um termo que possa nos convencer numa totalidade para este e todos os outros momentos futuros vindouros.

Essa necessidade de adequação nos nossos tempos atuais se mostra da mesma forma que nos séculos passados, onde começamos com a nomenclatura de Belas-Artes que nos enfatiza questões e preocupações mais com a estética, o belo e tudo o que a arte tende melhor nos mostra e a mesma está diretamente ligada com uma arte acadêmica, distante do que entendemos por arte hoje. Com as Artes Plásticas nos denota exatamente não mais essa preocupação com a arte, mais sim uma questão de percepção e sensação que tais artes poderão nos remeter ao simples contato com as mesmas, já na nomenclatura de Artes Visuais acabamos por entender que ela tem tudo a ver com uma construção da imagem priorizando o visual, dando uma maior ênfase para as novas tecnologias que funcionam como um suporte para o seu sucesso, Passando para o termo Cultura visual, é inevitável que já se encontre estalado nos tempos atuais, uma vez que cultura Visual é um termo mais globalizado e acaba sendo um termo que não digo que está a frente do ensino atual, mais que pode ser mais amplo pelo fato de englobar a cultura como um todo, uma vez que o visual atualmente é o que mais se enfatiza tanto no ensino, na vida cotidiana, e enfim na vida do homem atual.

Portanto, podemos dizer o seguinte, as Academias assim como o Classicismo estão totalmente ligadas de uma forma direta e condicional ao ensino de arte com o um todo e assim também as nomenclaturas têm uma ligação ou relação de existência condicionada a mesmas, ambos tem sua parcela de contribuição ao ensino de arte em nossas escolas e que não cabe talvez acharmos o melhor termo certo ou errado para as questões que mais bem se adéqüe ao nosso ensino de arte atualmente. E na verdade o que mais nos importa neste contexto é sabermos se o termo aplicado tem a ver com a nossa realidade atual, o que estamos vivendo local e os critérios estéticos da nossa realidade estão sendo respeitados.

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