segunda-feira, 4 de maio de 2009

Narrativa Crítica



A modernização da produção artesanal através do processo de design figura entre as estratégias utilizadas por instituições públicas e privadas para estabelecer uma comunicação entre os interesses dos grupos de artesãos e o mercado. Isso tem despertado por um lado o interesse dos profissionais da área, por outro a desconfiança de pessoas envolvidas nessa produção como os artesãos, folcloristas, etc. de que o design descaracterize a prática cultural pela qual resulta o artesanato para corresponder os imperativos de um mercado atrelado à moda que, por sua vez, é influenciada por tendências artificialmente criadas pela indústria cultural. Essa dualidade tem maculado a aproximação entre o artesão e o designer a ponto de ser o âmago do problema trazido por nós.
Podemos dizer que as interferências realizadas na produção artesanal têm que uma centralização na idéia de uma “interferência sem magoar”, sempre reconhecendo o imenso valor do artesanato como identidade cultural das diferentes comunidades partindo de investigação a cerca dos diversos tipos iconográficos. Renegar qualquer intervenções feitas por designers, pois as têm como nocivas por alterar os significados materiais e imateriais da prática cultural desenvolvida pelos artesãos. Essas formas mais verdadeiras terminam sendo transformadas por designers e atravessadores apressados em ver lucro, ou, numa pressa e facilidade de vender a turistas.
Comenta-se muito sobre uma vulnerabilidade do artesão com a entrada de designers na produção de artesanatos, podendo assim o primeiro transforma-se em mero executor dos projetos do segundo. Vermos também que muitas vezes intermediários ditam as regras na produção e comercialização de tais artefatos. Aliás, são Pois são eles que mais ganham na oferta destes produtos. Vemos que ao nos depararmos com a união artista/designer e artesão, os tipos desenho e texturas que pertencem a um universo simbólico do artesanato visto nos mais variados, colocando em seus projetos de produto uma cara das plásticas visuais que não os assemelhe e dando uma identidade através de uma revisão do artesanato tradicional.
Muitas vezes, ao a me depararmos com qualquer tipo de artesanato, tudo o que me vem a cabeça que este tipo de trabalho muitas vezes não é encarado pelo artesão como uma trabalho artístico, mas um trabalho em que ele tenta ou agrega uma certo valor estético para que no final ele possa vender este produto mais valorizado não muitas vezes pelo valor artístico, mas sim pelo enorme trabalho que deu para ser feito esse ou aquele artesanato.
Muitas vezes este mesmo artesão sem muita noção do que venha ser arte, mas talvez inconscientemente acaba por determinar em seus trabalhos uma certa função exercida pelo design que muitas vezes ele próprio avalia, muda a característica do produto no meio da sua criação, imprimindo muitas vezes seu gosto ou até mesmo os gostos de quem encomendou tal produto.
É quase certo que podemos dizer que as verdadeiras diferenças entre arte artesanato e design existam sim, mas seja consciente ou inconscientemente todos estão em busca incessante pela valorização da arte pela arte, dentro de uma visão de que a arte se mostra presente não como uma coisa particular a esse ou aquele, determinado grupo ou pessoa, mas como um todo e para todos dentro de uma visão globalizada de que venha ser arte na sua essência.
Como Acadêmico de Artes Visuais, vejo que a aprendizagem de um modo em geral pode ser facilitada e descomplicada, a partir de uma reestruturação de toda a forma como o ensino de arte vem sendo conduzido em todo o ensino brasileiro, tais mudanças podem vir a ser acompanhada de uma inserção de todo a “parafernália” a que o mundo da arte está inscrito, tais como o aproveitamento de todas as formas como é feito o artesanato, fabricação através da própria brincadeira, onde o aproveitamento com certeza será bem melhor, onde também o design também pode ser discutido e entendido de forma simples e correta, sendo que todo esse mundo maravilhoso envolvido pela arte pode ser um mecanismo poderoso até mesmo como um complemento que poderá ajudar o aluno nas demais questões que envolve o ensino como o todo e a própria vida do indivíduo.
Enfim, quaisquer incursões na produção de artesanatos em comunidade tradicionais devem ser acompanhadas de ações envolvendo órgãos de diversos setores sociais, tai como educação, turismo, trabalho, cultura, empreendedorismo e etc., sempre pensando na melhoria da qualidade de vida destes artesãos, para que ele possa no fundo ser um agente capacitado e motivador de suas expressões simbológicas. Sendo que, numa visão em que todos podem ganhar, principalmente quando nos referimos a educação formal e integral a que o indivíduo se ver obrigado a correr atrás, a contribuição seqüenciada da arte, artesanato e design é de fundamental, por não dizer vital a uma melhoria não só na qualidade de nossa educação, mas até mesmo como um ponto integralizado de todos os seguimento da sociedade como um todo.

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