Autor: Raimundo de Araújo Corrêa
APRESENTAÇÃO
Dentro de um discurso oficial, a prisão tem como objetivo reabilitar os delinqüentes, para que voltem reintegrados á sociedade após o período de reclusão, no interior de uma prisão criar um espaço de produção, ensino e aprendizagem de arte e literatura, com intuito de ao mesmo tempo trabalhar uma habilidade possível e formar um espaço de reflexão é salutar. A arte e a literatura vêm como facilitadora do contato com o próprio modo de ser e o modo de ser do outro, passa a ser uma ferramenta de expressão, de comunicação, e de liberdade.
Com o encarceramento, a pessoa muitas vezes volta-se a um recuo, levado a imobilidade e ao mutismo, o discernimento se dificulta e, vai brotando uma forte inclinação para atenuar seu “incompromisso” com o próximo e até mesmo com a existência humana. O fato de estar na condição de pessoa presa pode levar alguns ao total irracionalismo sedentário, sendo certa, que o que caracteriza o “comportamento comprometido” é muitas vezes, a ausência da capacidade de opção, o que facilita um impulso ou motivo aprendido, para ser como outro indivíduo.
É nesse sentido que o projeto PRATICANDO A POESIA DE CORDEL vai de encontro com os interesses de melhoria na qualidade mínima de vida do encarcerado, buscando fazer com que os mesmo possam conhecer a literatura de cordel, mas também adquirir um conhecimento da cultura popular brasileira que sempre esteve e ainda está presente na vida do Brasileiro, do Acriano e do Taraucaense.
MOTIVAÇÃO
É necessário, que se ofereça oportunidade de provocar neste indivíduo encarcerado, um sistema completamente diferenciado de educação, para que com outras preocupações e interesses se desvincule da mentalidade massificada, nutrida de pessimismo, limitação, resistência, indisciplina, ceticismo, enfim, peculiares na maioria da população carcerária, principalmente dos que passam o tempo no ócio.
O importante é que se apliquem trabalhos com intuito educacional, que faça com que a pessoa encarcerada, concentre suas maiores energias no desenvolvimento de aptidões construtivas e adquira conhecimentos que possam lhe outorgar poderes intelectuais e reais de sua inserção. Bem como obrigações, responsabilidades sociais e morais de homem no mundo e com o mundo, longe de exercitar ação violenta, criminalidade e conseqüente reincidência. Criando hábitos saudáveis, controlando impulsos, adotando padrões de comportamentos aceitáveis pelos costumes e pelos padrões, entendendo e aprendendo seu papel de “sujeito” e não de mero e permanente objeto gerador de polêmicas problemáticas, que ocupa apenas espaço e causa temor.
Estimulando e explorando o desenvolvimento das potencialidades, entre elas as artísticas, assim permitiremos que grandes descobertas positivamente construtivas aflorem e não só sirvam como referenciais, tendo possíveis possibilidades de reconhecimentos.
OBJETIVO
- Levar a Arte/literatura da poesia de cordel como forma terapêutica de amenizar a ansiedade;
- Contribuir com o resgate da auto-estima e da integridade psicológica;
- Trabalhar uma possível habilidade na criação de uma poesia própria da sua realidade;
- Formar um espaço de reflexão dentro da UPMP (Unidade Penitenciária Moacir Prado) de Tarauacá usando como meio a poesia de cordel;
- incentivar o preso a analisar fatos e situações de seu convívio carcerário de modo crítico através da poesia de cordel.
PÚBLICO ALVO
Reeducandos da Penitenciária “Moacir Prado” na qualidade de alunos do Ensino Médio, que queiram conhecer e praticar a poesia de cordel ou tenham vontade de participar de uma atividade artística literária.
METODOLOGIA
A pesquisa será desenvolvida em duas etapas. A primeira etapa será composta por estudos bibliográficos tendo como objetivo o resgate histórico da literatura de cordel e a forma como ela poderá ser aplicada de forma educacional.
Na segunda etapa, o projeto será aplicado em aulas explicativas e expositivas nas quais serão trabalhados os diferentes aspectos da literatura de Cordel.
Para efeito didático o trabalho foi dividido em três momentos distintos:
1º Fruição – O contato inicial dos educandos com os folhetos, suas imagens formas e origens.
2º Desenvolvimento – Será o trabalho de contextualização sobre cultura e a iniciação gramatical dentro dos aspectos de estruturação da literatura de Cordel.
3º Momento de produção de sua própria poesia de cordel no qual os educandos desenvolveram sua própria escrita, utilizando-se dos recursos literários do Cordel que a eles for passado.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, A.M. et al Cordel e comunicação. São Paulo: USP, 1971.
BATISTA, A. Literatura de cordel: antologia. São Paulo: Global, [19--]. V.2
BATISTA, S.N. Antologia da literatura de cordel.[S.1.]: Fundação José Augusto, 1997.
Parâmetros curriculares nacionais: arte/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997

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